Memorizar

Palácio da Memória

Ter uma memória que guarda mais informações e que as acessa mais rapidamente é algo que todos nós desejamos. Neste artigo vamos falar de um método que vem sendo usado há milênios, tem sido a base para feitos incríveis de campeões de memória e pode ajudar você em várias situações de sua vida: “o palácio da memória”.

Os relatos mais confiáveis dão conta que a técnica foi criada por um poeta grego chamado Simónides há mais de 2500 anos. Segundo a história, a inspiração para a criação do método veio de um evento trágico no qual o poeta escapou milagrosamente da morte. Ele estava em um banquete com diversas outras pessoas, mas foi chamado para fora do salão para encontrar duas pessoas que procuravam por ele. Assim que Simónides estava do lado de fora, o teto do salão desabou matando a todos que desfrutavam do festim. Depois do ocorrido, quando perguntado sobre as vítimas, ele conseguia lembrar de seus nomes relembrando o lugar onde estavam sentadas. Por esse motivo, a técnica possui outro nome pelo qual é conhecida: “método de loci” (loci é uma palavra do latim, que é o plural de locus, que significa lugar).

Segundo a Wikipedia, o palácio da memória é “uma técnica mnemônica que depende de relações espaciais memorizadas para estabelecer, ordenar e recuperar conteúdo memorial”. Segundo a psicologia cognitiva e a neurociência, a memória espacial é a parte de nossa memória responsável por gravar informações sobre os ambientes que nos cercam e sua orientação espacial. Usamos nossa memória espacial quando estamos nos locomovendo pelas ruas de uma cidade conhecida, assim como um rato usa a dele para aprender a localização da comida no fim de um labirinto.

Ao dominar a técnica, você poderá usá-la para memorizar desde listas de compras até matérias de prova. Alguns “mentatletas”, como são chamados os adeptos dos esportes mentais, usam essa técnica em campeonatos de memória para se lembrar de nomes, palavras, números e sequências (gigantes) de cartas de baralho.

Como funciona?

O professor de psicologia da UFMG, e também mentatleta, Alberto Dell’Isola, em seu livro Mentes Geniais, rebatiza o método para “técnica das jornadas”, uma vez que a base do método é usar um caminho (ou jornada) conhecido.

O primeiro passo é escolher uma jornada que lhe seja familiar. Pode ser o caminho que você faz para ir para o trabalho ou escola, como pode ser também um caminho dentro da sua própria casa (ou do seu palácio, caso possua um 🙂 ). Você precisa imaginar sua jornada tendo um início e fim determinados e os pontos de interesse ao longo do caminho devem ser percorridos sempre na mesma ordem. Caso queira usar uma jornada na sua própria casa, por exemplo, os cômodos devem ser percorridos mentalmente numa mesma sequência.

O segundo passo é adicionar à sua jornada os itens que você deseja lembrar. Você faz isso transformando esses itens em imagens vívidas (quanto mais inusitadas melhor) e as colocando nos pontos de interesse ao longo do caminho.

Vamos usar um exemplo para deixar isso mais claro. O desenho dos Simpsons está no ar há mais de 20 anos então é bem provável que você lembre um pouco de como é a casa da família. Dê uma olhada na imagem abaixo para relembrar:

Planta do primeiro andar da casa dos Simpsons

Imagine que você é o Bart, ou a Lisa, e que sua mãe pediu que você vá ao Kwik-E-Mart para comprar ovos, biscoitos, óleo de cozinha e cabides. Acostumado a usar o palácio da memória, você já memorizou um caminho dentro de sua casa para quando precisar usar a técnica. Você começa entrando pela porta da frente, vira à esquerda para a sala de estar, continua para a sala de TV e depois entra na cozinha, conforme mostrado na imagem abaixo.

Planta do primeiro andar da casa dos Simpsons com o trajeto

Para não esquecer da lista, você começa imaginando os itens que Marge pediu em cada um dos 4 cômodos da sua jornada. Primeiro você imagina os ovos rolando pela escada e fazendo uma bela bagunça, ao entrar na sala de estar pode haver um menino biscoito dançando na poltrona, quando você avança pela sala de TV encontra uma garrafa gigante de óleo sobre o tapete e, por fim, quando chega na cozinha percebe que um cabide enorme está bloqueando o acesso à geladeira:

Planta do primeiro andar da casa dos Simpsons com os itens

Ao imaginar o trajeto, somado às improváveis imagens, você estará usando gatilhos de memória para os itens que deseja lembrar e os armazenando na eficiente área do cérebro responsável pela localização espacial, o que facilitará muito a lembrança.

Sua jornada pode ter tantos pontos de interesse quanto você queira. No simples exemplo dos Simpsons usamos apenas 4 pontos, mas poderíamos ter guardado muitos itens mesmo nesse simples trajeto. Quando adentrarmos mentalmente um cômodo, podemos nos treinar para sempre visualizar as paredes do ambiente numa mesma ordem (horária ou anti-horária), assim podemos “guardar” nossos gatilhos nas paredes ou no mobiliário que esteja nelas.

Dicas

Como foi dito antes, quanto mais estranhas forem as imagens criadas, mais fáceis de lembrar elas serão. Imaginar ações também melhora a lembrança (como os ovos rolando pelas escadas ou o menino biscoito dançando na poltrona).

Caso você esteja estudando para um concurso ou prova, não reutilize jornadas, você acabará se confundindo. Um caminho só pode ser reutilizado caso você não precise mais dos dados memorizados antes. Caso precise de armazenar uma nova série de informações, use um novo caminho. Caso não tenha mais nenhum para usar, tente visitar um novo bairro em sua cidade, memorizar algum trajeto visto em um jogo de videogame ou filme, ou use a casa de parentes e amigos.

Essa técnica pode ser usada em conjunto com outra que já comentamos aqui. Caso você precise se lembrar de uma sequência de números bastaria primeiro transformar os números em palavras e em seguida gerar imagens com essas palavras e posicioná-las em sua jornada.

Curiosidades

Exames de imagem do cérebro de “memorizadores” profissionais mostram grande atividade do cérebroCartaz da série Sherlock da BBC ligada à consciência espacial, incluindo o córtex medial parietal e o hipocampo direito posterior.

Há diversas referências ao palácio da memória em séries de TV. O seriado Sherlock, da BBC, o famoso detetive indica estar usando a técnica durante vários episódios (como o segundo da segunda temporada). O personagem Patrick Jane, da série “The Mentalist” também faz uso do palácio da memória em muitos dos capítulos. O famoso serial killer Hannibal Lecter, no seriado Hannibal, também usa o método em alguns episódios. A técnica também aparece em outras séries como: Battlestar Galactica, Doctor Who, Elementary e Criminal Minds.

Conclusão

O palácio da memória já provou sua utilidade ao longo do tempo e é uma das técnicas mais fáceis e eficientes para otimizar nossa memória. Espero que agora, ao fim desse artigo, você ainda se lembre da lista de compras da Marge :).

O que você achou do método? Deixe seu comentário abaixo!

Créditos
Imagem da casa dos Simpsons por Andrew Delong  – http://ajdelong.deviantart.com/art/Simpson-s-House-Cutaway-First-Floor-325012816
Imagem do seriado Sherlock Holmes por BBC

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  • Myamoto

    Excelente artigo parabéns! Ainda fico com um pé atrás desse método, não sei porque não acho ele intuitivo. É como se estivesse gastando mais energia pra processar algo que deveria ser automático, é bem estranho isso. O simples fato de alocar memória em A utilizando um método me parece ter de trabalhar como método ( que por si só já gasta energia). Nosso cérebro já não trabalha com referências?Tudo o que lembramos é de alguma forma uma lembrança relacionada a algo, mas utilizamos geralmente nossos sentidos pra que isso ocorra. Vou tentar aperfeiçoar esse método pra tirar minhas próprias conclusões a respeito.

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Comentários

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